terça-feira, 9 de agosto de 2011

Outros Projetos e Ideias

Busdrô – Quadros para Publicidade Dentro de Ônibus

São quadros simples e resistentes. Feitos de apenas duas lâminas, com réguas nas beiradas internas, fixadas por rebites. Foi desenvolvido um sistema muito simples para posicionar e retirar a folha de papel com os anúncios, havendo abertura apenas num dos lados.

Como o material é impresso em papel e trocado com facilidade, permite a comercialização de periodicidade curtas, até diária.

Permite também a veiculação de anúncios pequenos e baratos, pois os quadros ficam perto do público. São instalados atrás de encostos de assentos e diante de janelas. Estes são fixados em suporte – que fica logo acima da janela –, feito de barra metálica dobrada, deixando o quadro a uma distância próxima de 10 cm do vidro, o que permite ainda o uso de cortinas.

Apesar de ser possível operar com preços acessíveis, a comercialização de períodos curtos e a veiculação de vários anunciantes simultaneamente devem proporcionar um ótimo retorno financeiro. Assim, pode tornar-se uma importante fonte de custeio para o setor de transportes coletivos urbanos.

Deve ser operado por meio de franquias, o que permite a realização de licitação pública, para que se obtenha o melhor percentual possível de retorno para custeio dos transportes.

Pedidos de patente depositados.


Ponte Balsa

Ponte flutuante feita de módulos semelhantes a balsas, que podem ser desconectados para a passagem de embarcações ou para preservação de paisagens históricas e/ou simbólicas, como o entorno da ponte Hercílio Luz, em Florianópolis.

Pode funcionar durante a semana e ser retirada para a realização de visitação turística, em feriados e fins de semana, quando há menor movimento no trânsito.

Foi depositado pedido de patente, que será abandonado, para que caia em domínio público. Assim, qualquer empresa pode usar esta ideia para elaborar projetos que viabilizam acessos em locais como a ligação entre a Beiramar Norte e o bairro Estreito, Florianópolis.

Já existem pontes flutuantes funcionando em rios, em outros países, como Angola.



Alças para Fixar Chapéus nas Orelhas



Alças feitas de fitas e fios de silicone, fixadas em torno das orelhas. Ficam invisíveis e evitam que os chapéus se soltem com o vento.

Podem se usadas com cabelos soltos sob o chapéu. Basta soltar os fios com auxílio de um palito, depois de prender as alças.

São costuradas em velcro para facilitar a instalação em chapéus.

O tamanho é regulado por meio de um nó no fio de silicone, entre dois pontos de uma costura manual. Este nó pouco apertado pode ser afrouxado e movido com a ponta de um alfinete.



Pedidos de patente depositados no INPI e WIPO.

Podem ser feitos pedidos pelo e-mail: maruicapas@gmail.com.


Calça Estradeira

Calças com abertura na lateral das pernas, usadas para proteção contra chuva e frio, sobretudo em motocicletas. São vestidas e despidas com muita facilidade.

O tamanho é regulado por meio de velcro disposto em sentido horizontal, na cintura e quadris.

Tem processo de patente em andamento, com parecer favorável em pesquisa internacional.


Sobrepé





1 - Capa para proteger calçados. Feitas de tecido impermeável, com apenas um bico de sola e uma alça que passa por baixo do calçado. Fechada na lateral e na alça inferior por velcro.

2 - Polaina impermeável com abertura na lateral, fechada por velcro. Pode ser usada com calçado impermeável ou de plástico, para proteger as barras das calças.



Processo de patente em andamento, com parecer favorável em pesquisa internacional.

Sobrepé e Estradeira são marcas registradas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Eca, que horror!

Segundo matéria publicada na edição da Istoé de 06/07/2011, na última década, o número de crianças de menores de 14 anos responsáveis pelo sustento de suas famílias no Brasil passou de 12.500 para 132.000 - um aumento superior a 1.000%. A matéria atribui a informação a dados preliminares do censo de 2010 do IBGE.

Desde o último dia 22 de maio, convivo com o mal-estar causado por uma matéria do Diário Catarinense, que tratava do caso de uma criança que chegou ao extremo de ser assassinada, por um homem que alegou desentendimento pelo preço de uma relação sexual.

Segundo outra matéria do DC do dia 16/05, a vítima tinha 11 de idade, mas aparentava 8 ou 9, por ter um corpo mirrado. Ainda assim, atuava como prostituta profissional, às margens da BR 101, em Tijucas.

Afirmam que ela foi recolhida das ruas pela policia mais de 40 vezes. Tinha passado por um abrigo, mas sempre era devolvida para a família. Os representantes do Conselho Tutelar ainda dizem que fizeram todo o possível e lançam a culpa sobre a família.

Entendo que a família pode ser culpada pela primeira desgraça dessa menina, mas a sociedade assumiu a culpa ao devolvê-la aos pais. Passou a ser cúmplice, conivente com todo esse absurdo.

Afinal, que política pública é essa? As autoridade sabem que uma família atua de modo negligente ou criminoso e permitem que uma criança continue a mercê dessas pessoas? sem nenhuma proteção, prostituindo-se numa via pública.

Apesar de tão escandaloso, esse caso só ganhou manchetes porque um homem empregado e casado, com a esposa grávida, acabou por matá-la a socos. Deixou-a num matagal, onde seu corpo foi ainda alvo de abutres.

Quantas meninas conhecidas da polícia, dos Conselhos Tutelares e do Ministério Público vivem nas mesmas condições? em cidades como Tijucas, que tem apenas 31 mil habitantes, ou seja, uma cidade pequena.

Fica claro, portanto, que as instituições públicas são absolutamente negligentes em relação à proteção às crianças. Como ousamos ter ainda uma legislação que proíbe as pessoas honestas e bem intensionadas de oferecerem um trabalho digno aos jovens?

Em 1973, burocratas da OIT - Organização Internacional do Trabalho criaram uma convenção internacional sobre idade mínima para admissão em emprego, que pretendia já a total extinção do trabalho infantil.

Por certo, tratava-se de burocratas de países com economia desenvolvida, na época ainda estável, onde o controle de natalidade estava já bem estabelecido, havendo casais que optaram por nunca ter filhos, ou ter um, dois, no máximo. Países que têm um sistema de educação pública bem estruturado e programas de proteção a crianças e jovens desamparados ou maltratados.

O Brasil reeditou essa legislação, sem se incomodar com o nível de seu próprio desenvolvimento econômico nem com qualquer estrutura de assistência e proteção àqueles que vivem em situação de risco. Acabou por restringir ainda mais o trabalho dos jovens, proibindo também a educação para o trabalho.

O artigo 6° da referida convenção internacional autoriza o trabalho de crianças e jovens dentro de quaisquer instituições de ensino, em programas educacionais, restringido a idade apenas para o trabalho de aprendizes em empresas.

Mas a lei 10.097/2000 diz: “É proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos quatorze anos”. Ou seja, a lei brasileira proíbe que haja aprendizes menores de 14 anos, em quaisquer instituições.

Além de proibirem, colocaram a lei em prática, acabando com as aulas de Iniciação para o Trabalho, que havia nos currículos das escolas públicas, nas quais ensinavam trabalhos manuais. Até mesmo destruíram as hortas que havia nas escolas, onde ensinavam a plantar legumes e verduras, que ainda contribuíam para a merenda escolar.

A convenção internacional também faz uma ressalva às unidades econômicas familiares, no inciso 3 do seu artigo 5°. Mas estas, no Brasil, foram o primeiro alvo dos conselheiros titulares, que não abrigam nem alimentam – tampouco têm recursos para enfrentar cafetões e traficantes. Mas estão dentro de todas as comunidade e têm autoridade para constranger os pais e qualquer pessoa que tente dar uma oportunidade a estes jovens de aprender um trabalho honesto, com o qual possam se sustentar e desenvolver uma profissão, ter uma perspectiva de futuro.

Em nenhum sociedade é possível que todos cursem faculdade e sejam doutores. Mas é imprescindível que todos possam ter uma profissão. A maior parte dos trabalhos braçais só é aprendida na prática. Entendo que é difícil ensinar um adulto que nunca teve familiaridade com o trabalho pesado. Então a adolescência é a fase mais adequada para isso.

Lembro que, há alguns anos, um programa de televisão fez uma pesquisa por telefone, pedindo que o público dissesse se é contra ou a favor do trabalho infantil, tentando assim justificar essas leis. Mas nenhum dos que se disseram a favor da proibição legal foi intimado a contribuir para dar alimento, proteção e educação às crianças pobres desse país.

Os números agora mostram que o Eca e outras leis conseguiram, sim, afastar os pais de suas famílias. Desautorizados, impedidos de levar o filho para trabalhar como ajudante de pedreiro, marceneiro, carpinteiro e sem condições de sustentá-los até completarem dezesseis anos, com o valor dos salários pagos neste país, os chefes de família desapareceram.

O censo prova isso, mostrando esse crescimento assustador do número de crianças responsáveis pelo sustento de suas famílias. Mas também obrigadas a se sujeitar a muitas formas de abusos e constrangimentos, porque o único meio de obterem esse sustento agora é na clandestinidade.

Na prátia, portanto, as leis que proíbem os jovens de trabalhar apenas proporcionam mão-de-obra fácil aos traficantes, cafetões e outros criminosos. Ou seja, acaba por facilitar a exploração de crianças nas “piores formas de trabalho infantil”.

Reprodução autorizada

sábado, 9 de julho de 2011

Esperto não: estúpido, inválido, deficiente moral!

Vivi tempos em que as pessoas me olhavam com espanto quando eu dizia que a realidade é absurda ou que “supera toda ficção”. Vivo tempos em que me olham com espanto quando questiono o absurdo de nossa realidade.

Uma sociedade que escondia suas mazelas – para pregar que o ser humano é bom – tenta hoje me convencer de que a perversidade, a desonestidade, a malandragem são coisas “aceitáveis” ou pior ainda, tentam exaltar os inescrupulosos chamando-os de “espertos”.

Reduzem todo conhecimentos humano à lei da relatividade, evitando o discernimento entre o bem e o mal. Ridicularizam o discernimento, chamando-o de “maniqueismo”

Não sou tão velha para ter um passado que hoje parece tão distante, mas vivi o advento da Internet: a comunicação sem fronteiras. E, apesar de sequer termos tempo para dizer bom dia a um filho, de não termos a menor ideia do que eles verão e ouvirão durante o dia, oro para que Deus nos permita ter sempre uma Internet sem censura.

Pois acredito que Jesus Cristo é Deus que se tornou humano para nos ensinar como sair de todo esse lamaçal. E um de seus ensinamentos é: “a verdade vos libertará”.

Entendo então que a maldade é uma doença humana, que precisa ser conhecida, diagnosticada, para ser tratada e curada.

Assim, acho que seremos capazes de convencer nossos educadores profissionais de que é preciso introduzir ensino moral nos currículos escolares. Sobretudo de que é preciso estabelecer e praticar regras de boa conduta nos ambientes escolares, educando nossos filhos para adquirirem discernimento suficiente para formar um bom caráter. Pois uma pessoa de caráter bem formado não só pode como precisa saber que seres humanos são capazes das piores perversidades. Para entender que deve com constância lutar para superar a própria tendencia ao mal.

Mas acredito também que antes teremos que convencer a sociedade que uma pessoa que estuda, tem acesso recursos diversos e usa sua capacidade para encontrar meios para tirar vantagens de quem não tem ou teve os mesmos privilégios é estúpida e não “esperta”.

Afinal, quem precisa se apoderar daquilo que pertence aos outros reconhece que não possui capacidade para obter o que precisa para si, em igualdade de condições, apesar de todos os privilégios que usufruiu e usufrui. Reconhece ser um incapaz, um inválido.

Um inválido que possui braços e pernas, olhos e ouvidos, todos os sentidos biológicos funcionando em perfeito estado é o pior dos inválidos: um deficiente moral.

Compreendendo isso, talvez, nossos educadores entendam que precisam frear a agressividade dos jovens e despertar interesse no trabalho honesto, na produtividade, na gentileza, na generosidade, na busca de melhores dias para a humanidade.

sábado, 2 de julho de 2011

É preciso tratar assédio moral como crime

Nos últimos meses, falei com duas pessoas que estão em tratamento por depressão, iniciado depois de um inquérito no seu local de trabalho: um emprego público. Um funcionário de uma prefeitura do interior e outro de uma repartição do Estado, na qual parte dos serviços foram terceirizados.

Nesse período, não atendi público, no meu local de trabalho, nem sequer tenho tempo para falar com muita gente. Então o índice de dois casos no universos das pessoas que conheço é extremamente alto.

Por questão de ética e ideologia pessoal, peço licença para evitar a identificação dessas pessoas e de outras, no caso que vou relatar a seguir.

Discordando de seu superior hierárquico, outra funcionária denunciou, em órgão da própria instituição em que trabalha, procedimento ilegal. Mas, depois de formalizar a denúncia, viu-se ainda mais pressionada a colaborar com o procedimento questionado. Insistiu em manter sua postura, apresentando novas provas. No dia seguinte, foi intimada a dar esclarecimentos sobre uma denúncia contra si mesma.

Redigiu um documento, afirmando que se tratava de uma acusação falsa e pedindo cópia de relatórios e de filmagens, para provar que estava sendo alvo de uma denúncia infundada. Mas não lhe entregaram nada.

Então insistiu no pedido, remetendo-o a uma instância superior. Tampouco conseguiu obter as provas requeridas.

Sem dinheiro para pagar um advogado, fez uma petição à Justiça do Trabalho, alegando o direito constitucional de acesso a todos os meios necessário à própria defesa.

Para tanto, passou boa parte de suas férias estudando a CLT. Não encontrou nada que fizesse referência a assédio moral. Entendendo que, para formalizar uma petição, precisava adaptá-la à legislação trabalhista, requereu as horas extras que teve que trabalhar em sua casa, para formalizar as explicações. Um valor simbólico, que parece ter ofendido o juiz. Sua primeira providência foi mandar que ela atribuísse valor à causa.

Então redigiu novo documento, insistindo em dar à causa o valor das quatro horas extras que teve que trabalhar em sua casa.

Mas, na audiência, sem advogado, viu-se acuada pelo juiz, acusada de fazer pouco caso da Justiça do Trabalho, por iniciar todo um processo pedindo apenas R$50,00.

Então esclareceu que se tratava de um valor simbólico, pois seu objetivo era denunciar o assédio moral ao qual estava submetida. Então o próprio juiz disse que ela deveria ter contratado um advogado, que lhe orientaria a pedir indenização por danos morais. Ela esclareceu que não pretendia obter vantagem financeira com o caso e insistiu em manter o processo, mesmo depois que foi ameaçada de condenação por litigância de má-fé.

O juiz então encerrou o processo sem julgar o mérito, o que ainda lhe permite reformular sua denúncia, requerendo indenização por danos morais.

Mas, ao consultar um advogado, ela descobriu que, para requerer indenização por danos morais, deve provar que foi moralmente afetada pelos fatos: que sofreu abalos emocionais, perdas em sua vida pessoal e/ou profissional.

Como conhecia o caso dos funcionários em tratamento por depressão, entendeu que, graças à sua fé em Deus e numa justiça que supera as instituições aqui estabelecidas, ela não sofreu danos morais e não tem mais nada a requerer. Mesmo porque, durante a audiência, foi informada, pelo representante da instituição na qual trabalha, de que já não existe mais nenhum precedimento investigativo contra si.

Uma história que acaba bem, mas assusta, pois explica a situação daqueles que sucumbem em depressão.

Entendo, portanto, que é preciso inibir esse tipo de procedimento, tratando o assédio moral como crime e oferecendo instrumentos para prevenir o dano. Pois o dinheiro não cura uma doença psíquica. É absurdo então falar apenas em indenização financeira, depois que o dano moral se configura. Sabemos que os tratamentos são feitos a base de medicamento que geram dependência. Na maior parte dos casos, prolongam-se por toda a vida.

Esses abalos, portanto, depois que se concretizam são irreparáveis.

Agressões físicas em geral podem ser curadas e ainda assim são tratadas como crime. Entendo que a violência moral deveria ser tratada no mínimo com o mesmo rigor. Para tanto, é preciso que se estabeleça dispositivos legais que inibam a ação, a omissão e a conivência com o assédio moral.

domingo, 21 de novembro de 2010

Deseducação Brasileira


A violência em colégios públicos assusta, mas fico ainda mais chocada com a agressividade de jovens de classe média, “bem nascidos e criados” ou não...

Um tanto ilegível a inscrição “Eugênia é porca tem estudo + não tem educação”, pichada num muro do Centro, há alguns meses. Imagino que tenha sido feita por um rapaz simples e decepcionado com o comportamento de Eugênia, que estudou em colégio particular, talvez curse faculdade – moça letrada e mal-comportada. Contraditório como tantos outros aspectos da atualidade.

Lembro que, há vinte anos, fiquei também muito decepcionada ao visitar um desses colégios, pelos modos dos funcionários que atendiam no local.

Não quero identificar esse colégio nem as circunstâncias que me levam a escrever sobre o tema, pois faria injustiça, atribuindo os fatos a uma ou outra instituição ou profissional, quando vejo que se trata de algo generalizado nos colégios de classe média do Brasil. Vou então narrar fatos, alterando e omitindo detalhes, para dificultar identificações.

Um pai foi chamado à escola de seu filho e voltou revoltado, dizendo que se sentia como se o tivessem posto de castigo e já não reconhecia mais seu próprio filho.

Contou que recebeu um aviso de que o filho só entraria acompanhado, porque era acusado de indisciplina. Quando chegou, foi informado de que deveria esperar a chegada de um diretor para uma reunião. Depois da espera, a reunião começou com outros funcionários. O diretor só chegou no final, dizendo que enviaria uma notificação da suspensão do aluno depois, porque ainda não a tinha redigido.

Ao entrar na sala de reunião, seu filho sentou-se à direita da cabeceira. A funcionária que se sentou na cabeceira indicou ao pai a cadeira à sua esquerda.

Antes de entrar, ele orientou o filho a só falar quando fosse autorizado. Mas o garoto, logo que ouviu os primeiros relatos da funcionária responsável por “disciplina”, iniciou sua defesa. Ele então não se conteve e repreendeu o filho, dizendo que deveria esperar que lhe dessem a palavra. Os funcionários nada disseram.

Mas o pai, logo que fez uma primeira manifestação sem pedir licença, foi surpreendido com um olhar de reprovação da funcionária que ocupava a cabeceira.

Então o filho podia falar sem pedir licença e até interromper manifestações, sentar-se a direita da cabeceira, mas ele deveria permanecer com bons modos em meio àquelas circunstâncias.

E seu filho ainda tuteava com a encarregada de disciplina. Tutear é um verbo pouco conhecido no Brasil, mas de extrema relevância no estabelecimento de relações de respeito, estruturadas por meio de hierarquia, das regras que determinam posição social.

Falando sobre o tema com um amigo cujos filhos estudaram em colégios particulares, ele me disse que isso é a educação moderna, “porque não querem bloquear as atitudes das crianças”.

Eu entendo, no entanto, que as más atitudes precisam, sim, ser “bloqueadas” e que é preciso incutir noções de respeito, de subordinação ou de hierarquia nas crianças.

Usando expressões como senhor e senhora, um jovem demonstra reconhecer que está diante de alguém que ocupar uma posição superior. Porque viveu mais que ele, estudou e passou por diversos outros processos, que lhe permitiram ocupar tal posição. Se quiser ser tratado com igual deferência, deve esforçar-se para elevar seu próprio nível.

Entendo que se trata de uma regra básica para educação de qualquer jovem. Porque já fui adolescente e sei que esses conceitos são muito importantes nessa idade. Todo jovem deseja autoafirmar-se e a maioria tem dificuldade para submeter-se às regras sociais. A rebeldia é algo natural nos adolescentes. Por isso, lembro que tínhamos enorme satisfação em poder abolir essas expressões de respeito, no tratamento com adultos, professores, etc.

Mas entendo que, se a sociedade cede a esse instinto de rebeldia, satisfaz gratuitamente o desejo por intransigência, vai retardar ou impedir que o adolescente supere seu próprio orgulho, compreenda que deve respeitar regras para ser aceito, ocupar uma posição, ser também respeitado.

É comum haver jovens que não conseguem um emprego, porque têm dificuldade para aceitar uma relação de subordinação, mesmo quando são educados para respeitar a hierarquia. Acredito que deva ser também difícil para quem nunca recebeu esse tipo de educação. Mas estou certa de que as dificuldades são bem maiores para quem recebeu educação em casa e depois foi submetido a um ambiente desses. Pois, no primeiro senhor ou senhora que pronunciar, será execrado por seus colegas. Logo vai tratar de adaptar-se aos costumes ali estabelecidos. Com isso, é natural que passe a questionar também todos os outros valores e princípios ensinados por seus pais e as demais regras que lhe forem impostas. Acaba por ter enorme dificuldade para distinguir o que é certo e errado, para ser então tratado como um desajustado social.

É nesse momento que os colégios costumam intimar os pais e lhes transferir o problema.

Depois de um grave escândalo envolvendo adolescentes, um tradicional colégio particular publicou em jornal uma nota dizendo que aqueles indivíduos não eram seus alunos, mas solidarizou-se com os colégios nos quais estudam, afirmando que as instituições não podem ser responsabilizadas pelo comportamento de seus alunos.

Eu pergunto então: quem se responsabiliza?

Será que podem mesmo abolir as regras de boa convivência social, cultivar o demônio dessas crianças, instigando a rebeldia, que já é natural em todo adolescente e depois lavar as mãos dizendo que não são responsáveis por sua educação? Mesmo quando se denominam instituições educacionais?

Será que tudo isso é uma conspiração antifeminista, que pretende, no final das contas, afirmar que a responsabilidade é das mães que trabalham fora, como todos dizem quando falam desses jovens. Mas pobres das mães que tentam educar seus filhos, para depois colocá-los nesses locais, onde todos os bons modos são ridicularizados.

Pobre também de Eugênia!!! Deve ter perdido um potencial namorado e muitas outras oportunidades... Será que um dia uma menina dessas pode acordar? Perceber, para o seu próprio bem, que precisa educar-se? Eu espero que sim. Que a Eugênia entenda que sua aparente liberdade é também sua pior algoz.

O fato é que cedo ou tarde os jovens vão sofrer por causa da própria falta de noção de regras e limites. Por isso, espero que tenham a compreensão de que há uma loucura institucionalizada no sistema educacional brasileiro e que precisam, sim, voltar às boas regras de conduta de seus pais e avós.

A rebeldia é também preciosa, porque nos instiga a agir para melhorar o meio em que vivemos. Mas é preciso cuidar para bem direcioná-la, buscando defender boas causas. Um rebelde sem causa é apenas um ridículo desajustado social.

Espero também que todos saibamos reagir contra essa situação e exigir que as instituições educacionais assumam responsabilidade por seus atos, cumpram seu papel de educar.

sábado, 15 de maio de 2010

Religião científica X minha vida


É inacreditável para nós, mortais sulamericanos, a construção de um túnel subterrâneo, entre 50 e 175 metros abaixo da superfície, com 27 km de extensão – uma obra realizada na Europa, que já custou em torno de 10 bilhões de dólares e 16 anos de trabalhos.
Mais inacreditável que o equipamento é a forma como a imprensa noticia estes fatos.
Uma grande revista de circulação nacional, por exemplo, em edição de abril, afirma que esse equipamento permitiu reencenar o Big Bang pela primeira vez: a “grande explosão que deu origem a tudo o que conhecemos”. E ainda apela para a eloquência, afirmando que o Bing Bang é “o maior evento de todos os tempos”.
Nenhuma mísera palavra que pudesse lançar qualquer dúvida sobre essa “explosão” que afirmam ser o início do processo de um “acaso criador de tudo”, ocorrido há bilhões de anos. Afinal, que jornalista ousaria desafiar a inquisição científica, proferindo tal heresia?
É... vivemos numa moderna idade das trevas. Assim como alguns clérigos da idade média temiam citar textos bíblicos que contrariassem dogmas da religião então predominante, jornalistas desta idade das trevas não ousam contrariar a fé científica.
Como dizer que existe liberdade de expressão, quando não parece haver sequer liberdade de pensamento? Como podemos nos dizer sérios e evoluídos se as revistas que circulam no nosso meio, as únicas que dispomos para saber um pouco daquilo que acontece no mundo, citam uma experiência científica como a criação do mundo reencenada. Um ingênuo que leia aquele texto pode até mesmo acreditar que a “primeira explosão” foi filmada.
O texto ainda afirma: “...A colisão gerou energia e temperaturas que não se viam desde o primeiro instante da história do cosmos”. Tudo retórica, força de expressão, é claro. Mas não usam expressão alguma para sequer supor que a “explosão do acaso criador” é apenas uma tese que tenta negar a existência de Deus.
Eu nunca fui para a faculdade. Fiz e mantenho um registro de jornalista porque nem tudo está perdido e ainda há bom senso suficiente neste país para que prevaleça o direito à liberdade de expressão.
Diante da constatação destas trevas, fico agradecida por não ter podido frequentar e não ter nenhum compromisso com o meio acadêmico. Pois me sinto livre para pensar e contrariar a opinião da maioria, essa fé predominante em nosso tempo: a religião científica.
Acredito que as religiões que se baseiam na bíblia pelo menos se fundamentam em registros antigos, emitidos por aqueles que viveram antes de nós, por pessoas que demonstraram ser capazes de uma compreensão superior e, por isso, foram reconhecidas como profetas pelos nossos ancestrais. Pessoas que eu reconheço como profetas, com base naquilo que entendo ser ciência séria. Porque viveram de tal maneira que nossos ancestrais, seus contemporâneos, testemunhas de sua existência e dos milagres que praticaram, assim o reconheceram.
Afinal, os relatos, os escritos preservados por gerações, são, sim, tudo o que temos de concreto sobre nossas origens. Qualquer outra teoria é mera especulação, conjectura. A maioria delas desaba, quando se fala em provas, em demonstração concreta ou nas outras tantas teorias possíveis: não há limites para a imaginação.
Entendo também que racionalismo é acreditar naquilo que constato em minha vida, a cada dia. E vejo uma lógica incompreensível regendo acontecimentos que não parecem ter qualquer relação, no entanto, com o tempo, mostram-se encadeados como elos de uma só corrente.
Por muitos anos, não enxergava essa relação entre os fatos. Mas houve um divisor de águas na minha vida. Por volta dos trinta anos de idade, sugeriram que eu fizesse um jornal em São Pedro de Alcântara, praticamente propuseram uma sociedade. Mas, depois de me comprometer com o projeto, constatei que estava sozinha. Foi quando outra pessoa me desafiou a viver a fé como prática diária, na Igreja que eu freqüentava havia três anos. Concluí que não tinha outro jeito. Orei, afirmando que colocava o projeto do jornal nas mãos d’Ele e deixei-me guiar.
Os acontecimentos então fluíram. Fiz um jornal com distribuição gratuita, mantido por anunciantes. Rompi com prefeitos, publiquei muitas denúncias: de fraudes, corrupção, etc. – tudo o que constatei e pude provar.
Isso só foi possível porque consegui superar a minha ansiedade, a preocupação com as contas a pagar no dia seguinte, que até então me dominava. Superei a mim mesma, pela descoberta da fé concreta, pela certeza da proteção superior, de que nada me faltaria, porque Ele me concede tudo. Foram trinta e duas edições ao longo de oito anos (1998–2006).
Sem a descoberta dessa fé, eu não faria sequer a primeira. Mas também, depois que tudo se concretizou, olhei para o meu passado e vi que muitos acontecimentos anteriores contribuíram para que eu realizasse aquele projeto.
Sempre tive paixão por Literatura e adoro escrever, desde a infância. Rasguei a ficha de inscrição para o vestibular de Pedagogia, aos dezoito anos, porque então encontrei coragem para admitir que se fizesse alguma faculdade deveria ser Jornalismo. Meu primeiro emprego em Florianópolis foi com um editor que iniciava um pequeno jornal.
Tive muitos outros empregos, sobretudo na área de vendas, a maior parte em publicidade: jornal, televisão, exibidora de out-door e agência. Trabalhei também como autônoma na área. Aprendi a criar, produzir, vender anúncios, etc.
Cada vez que perdi um daqueles empregos ou que algum negócio não dava certo, achava que minha vida não fazia sentido. Por isso, passei muito tempo frustrada, sentindo-me incapaz, com baixa autoestima. No entanto, aproveitei no jornal um pouco de cada um dos empregos que perdi, das experiências malsucedidas e tive que concluir que havia lógica, onde tudo parecia absurdo.
Essa lógica que eu também já preferi chamar de ironia do destino, “acasos da vida”.
Mas por que chamar de ironia do destino, de acaso, quando está claro que há uma inteligência muito superior à nossa no comando? Orgulho, incapacidade para admitir que somos dependentes que devemos tudo a um Ser Supremo?
A minha vida tornou-se bem mais fácil, quando reconheci essa força no comando, reconheci que necessito d’Ele, que sem a luz de Seu Espírito sou incapaz. Quem sabe um dia nossa civilização possa evoluir de fato e reconhecer o mesmo.

“Agrada-te de Deus e Ele satisfará os desejos do teu coração”.

Há uns cinco anos, quando minha filha frequentava o Ensino Confirmatório, na comunidade evangélica luterana, chegou em casa dizendo que o pastor Edson estava muito mal, numa UTI, que teve uma infecção e os médicos não conseguiam curá-lo. Eu então lhe disse que o pastor Edson era um homem muito bom, por isso sobreviveria.

No final daquele ano, ao ver o pastor Edson na Igreja, contei essa história. Na saída, notei que ele me olhou com reprovação, mas nada disse. Fiquei com uma sensação estranha e logo compreendi que ele morreria, quando anunciaram que estava novamente na UTI, em agosto do ano passado. Ele sofreu um acidente cardiovascular e faleceu em poucos dias.

Entendi, aceitei, mas não pude explicar. Queria corrigir aquilo que disse, sobretudo para sua família. Muitas vezes comecei a escrever, dizendo que errei, que as pessoas boas também morrem cedo. Que devemos entender que a morte é uma mensagem, que nos manda viver sempre preparados para prestar contas de nossa existência. Mas não consegui.

Há alguns meses, falava de fé com uma amiga e ela disse que sua família não conseguia aceitar o falecimento de sua sogra, que foi soterrada por um deslizamento. Disse que era uma mulher muito boa, que vivia em razão dos filhos e netos, de sua família.

Contei-lhe aquilo que aprendi com a morte de pessoas jovens e queridas. Mas ela insistiu em falar da revolta da família. Então eu lhe disse que precisamos ter consciência de que não nos cabe julgar Deus, porque Ele é Deus e nós somos só poeira.

Pronunciei e logo me surpreendi com a força dessas palavras. Refletindo sobre isso, compreendi que me faltavam essas palavras para corrigir o que disse sobre o Pastor Edson.

Acho que na monarquia era bem mais fácil aceitar a idéia de um Rei Supremo e agir como Jó diante das adversidades.

Elegendo nossos líderes, fiscalizando, julgando os governos da atualidade, achamos que temos o direito de julgar Deus, como se Ele nos devesse sua existência, o seu poder.

Precisamos entender que podemos ser súditos de um Rei bom, justo, generoso e misericordioso, mas Ele é também Senhor Absoluto. Por isso se afasta ou é afastado da vida das pessoas que acreditam estar em condições de criticá-Lo.

E vejo muita gente hoje vivendo sem a força de Deus. Parecem carregar o inferno dentro de si. Por mais que tenham, estão sempre insatisfeitos, incomodados com aquilo que não podem possuir.

Outras pessoas, mesmo passando por doença, miséria, são gratas por aquilo que lhes resta. Vivendo situações que qualquer um classificaria como infelicidade, mantêm o coração sossegado, em paz, entregue ao poder de Deus. Essas pessoas vivem no paraíso, mesmo habitando esse mesmo mundo de misérias, desgraças e apelos consumistas no qual vivemos.