sábado, 15 de maio de 2010

“Agrada-te de Deus e Ele satisfará os desejos do teu coração”.

Há uns cinco anos, quando minha filha frequentava o Ensino Confirmatório, na comunidade evangélica luterana, chegou em casa dizendo que o pastor Edson estava muito mal, numa UTI, que teve uma infecção e os médicos não conseguiam curá-lo. Eu então lhe disse que o pastor Edson era um homem muito bom, por isso sobreviveria.

No final daquele ano, ao ver o pastor Edson na Igreja, contei essa história. Na saída, notei que ele me olhou com reprovação, mas nada disse. Fiquei com uma sensação estranha e logo compreendi que ele morreria, quando anunciaram que estava novamente na UTI, em agosto do ano passado. Ele sofreu um acidente cardiovascular e faleceu em poucos dias.

Entendi, aceitei, mas não pude explicar. Queria corrigir aquilo que disse, sobretudo para sua família. Muitas vezes comecei a escrever, dizendo que errei, que as pessoas boas também morrem cedo. Que devemos entender que a morte é uma mensagem, que nos manda viver sempre preparados para prestar contas de nossa existência. Mas não consegui.

Há alguns meses, falava de fé com uma amiga e ela disse que sua família não conseguia aceitar o falecimento de sua sogra, que foi soterrada por um deslizamento. Disse que era uma mulher muito boa, que vivia em razão dos filhos e netos, de sua família.

Contei-lhe aquilo que aprendi com a morte de pessoas jovens e queridas. Mas ela insistiu em falar da revolta da família. Então eu lhe disse que precisamos ter consciência de que não nos cabe julgar Deus, porque ele é Deus e nós somos só poeira.

Pronunciei e logo me surpreendi com a força dessas palavras. Refletindo sobre isso, compreendi que me faltavam essas palavras para corrigir o que disse sobre o Pastor Edson.

Acho que na monarquia era bem mais fácil aceitar a idéia de um Rei Supremo e agir como Jó diante das adversidades.

Elegendo nossos líderes, fiscalizando, julgando os governos da atualidade, achamos que temos o direito de julgar Deus, como se Ele nos devesse sua existência, o seu poder.

Precisamos entender que podemos ser súditos de um Rei bom, justo, generoso e misericordioso, mas Ele é também Senhor Absoluto. Por isso, se afasta ou é afastado da vida das pessoas que acreditam estar em condições de criticá-Lo.

E vejo muita gente hoje vivendo sem a força de Deus. Parecem carregar o inferno dentro de si. Por mais que tenham, estão sempre insatisfeitos, incomodados com aquilo que não podem possuir.

Outras pessoas, mesmo passando por doença, miséria, são gratas por aquilo que lhes resta. Vivendo situações que qualquer um classificaria como infelicidade, mantêm o coração sossegado, em paz, entregue ao poder de Deus. Essas pessoas vivem no paraíso, mesmo habitando esse mesmo mundo de misérias, desgraças e apelos consumistas no qual vivemos.

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